Friday, January 27, 2017

A vida é assim, filha! Desculpa!

Ontem a Maria vinha abatidinha da escola, ao fim do dia. 
O irmão a denunciar que tinha havido lágrimas no intervalo e a ameaçar que contava tudo se ela o não fizesse. Ela a desabar que não tinha sido nada e que ele se metesse na sua vida e a deixasse em paz. Ela que sempre gostou de resolver as suas coisas sozinha.
Claro que quis saber o que tinha sido. 
Claro que eram arrelias de crianças, mas estivemos os três a conversar quase uma hora. E isso foi bom.

A Maria acabou por revelar, em lágrimas, que tinha contado um segredo a uma amiguinha (A) e que pediu para que ela não o revelasse a outra amiga (B)... e que ela(A) o fez. 
Simples. 
Humano. 
A Maria a dar de caras com questões como confiança, intimidade, traição.

"Sabes, filha, quando acontece alguma coisa menos boa, que nos põe triste ou com raiva, devemos pensar nela para tirar lições para uma próxima vez. O que é que tu aprendeste hoje com essa má experiência?"
"Que ela (A) é má..."
"Sim, ela traiu a tua confiança... não devias ter confiado nela. Para a próxima tens de pensar melhor antes de confiar os teus segredos, se forem mesmo segredos, a qualquer uma... há pessoas em quem não se pode confiar..."
E ela, em soluços, faz-me daquelas perguntas para as quais adulto nenhum tem resposta:
"E como é que eu sei?"
"Não sabes, meu amor, tens de tentar ir conhecendo as pessoas aos poucos e proteger-te um pouquinho mais, não podes contar tudo logo porque a pessoa te parece simpática, com o tempo percebes... e às vezes desiludimo-nos... é assim..."


Wednesday, January 4, 2017

Exemplares

Ir à escola para receber elogios dos nossos filhos é muito bom.
Fichas informativas com bons resultados às diferentes áreas lêem-se com muito agrado.
Boas notas a tudo. A pequena aparentemente não tão boa a expressões. Curioso, isso, para quem adora manualidades e desenho e diz querer vir a ser pintora...rimo-nos, deixa lá filha, eles é que não entendem a tua arte. 

E os valores.
Felizmente, ambos os nossos filhos escolheram como espaço de transgressão o nosso núcleo familiar, a nossa casa, as nossas paredes nem sempre testemunhas de harmonia, antes palco de bastantes birras, desafios e confrontos. Daí que, perceber que na escola são colaborantes e regulados é um orgulho grande. Afinal, estamos a fazer um bom trabalho.

De ambos ouvi um comportamento exemplar. 
Muito feliz por saber - um menino muito educado, irrepreensível, com muitas capacidades. 
Orgulho em ti, filho.
Em ti também, filha.
A minha Maria a enrolar-se na palavra e  a querer repeti-la, satisfeita, por entre os buracos da queda dos dentes, "e-xem-... ai, como é que é?"

Monday, December 12, 2016

Mentes brilhantes!

Resultado de imagem para brilliant kids, clipart     Ao chegar a casa, o Pedro despachou os TPCs de matemática em três tempos (coisa rara!). Não gosto que passem muito tempo em frente a ecrãs e sugeri-lhe que lesse um pouco. Pegou no livro que estava quase a acabar "Uma Aventura no Porto" e sentei-me a ler "Lua de Mel no Irão", ao lado dele. (Tudo a ver, mas adiante!)
     Lá me ia comentando a leitura: " Da próxima vez que formos ao Porto, podemos ir à Ribeira, mãe?"... "Sim, filho!"... "E à Torre dos Clérigos?"... "Está bem! Logo se vê!".
    De repente, chega ao frontespício do último capítulo e começa-se a rir.
     "Ora, as senhoras autoras chegam ao final do livro e pensam...uhmm, que nome haveremos de dar a este capítulo? Ora, bem, o que é que vamos fazer? É o... é o... falta-me a palavra... Já sei! É o desfecho! E, então, não estão para se chatear a escolher mais um nome para o capítulo e adivinha como lhe chamam?... Desfecho!"
     Ri-se, ri-se; prolonga a piada. Acho-lhe graça. Miúdo com espírito crítico e sentido de humor!


      A Maria quis comprar uma bandelete com umas antenas de rena para uma dança que vai fazer na escola. Compra uma nos Chineses. É em plástico e, aparentemente, dará luz ao ligar um botãozinho minúsculo na parte detrás. 
      Os dois adultos que lhe guiam a vida (ou nem por isso!!!) não atinam nem conseguem pôr aquilo a funcionar, enquanto disparatam sobre possível falência de pilha, sobre o facto de se dever ter experimentado na própria loja em frente à vendedora, para comprovar se funcionava, uma vez que agora dificilmente a trocarão, entre outras achegas absolutamente inúteis e tentativas de activação do dispositivo... em vão. 
      Durante todo o processo (que terá durado uns escassos dois minutitos) a Maria, calada, observa atentamente a bandelete nas nossas mãos. Preparámo-nos para a consolar "Olha, filha, deixa lá! É gira na mesma, só que não vai brilhar!"
      Ela pega no objecto, com ar triunfante e simultaneamente condescendente para connosco (os tais adultos orientadores!), move uma peça, uma película branca minúscula de uma ranhura para outra, accionando assim o dispositivo de iluminação. "Não funciona, não funciona! Claro que funciona! É só mudar isto para aqui e já está!"
      E já está! O que a ambos passou completamente ao lado! Miúda perspicaz e despachada!

Sunday, December 11, 2016

Carta ao Pai Natal 2016

Querido Pai Natal:
Este ano acho que me portei bem, por isso, quero:
- Um telemóvel novo;
- O jogo Fifa16 para a PS3;
- Uma camisola da selecção portuguesa;
- Os diários do Banana 5,6,7,8,9,20 e 11;
- O  novo "Caça Fantasmas" da Concentra;
- Umas sapatilhas da Nike;
- Uma máquina fotográfica e uma banda desenhada.
Também quero ter (e que tenhas) um óptimo Natal.
Desejo-te Boas Festas!
Pedro Neto

Pai Natal:
- A Casa de Sonhos da Barbie;
- Kidizoom (relógio com jogos);
- Ken;
- Lápis de Cera;
- 3 Pinipons;
- Ratinhos Brincalhões

Maria

Poker

BENJAMINS- G. D.Bragança-8 MIRANDELA-1

"Sabes, mãe, hoje fiz um poker?"
"O que é isso?"
"É marcar quatro golos; hat trick são três golos; poker são quatro! Quatro, mãe! Quatro!" 
"Boa, filho! Isso é que foi um jogo espectacular!"
"Todos os colegas da equipa me felicitaram e eu dediquei um golo ao Ramos, que estava lesionado e não pôde jogar e os outros três à minha namorada nova..."
"Outra?"
"Sim, chama-se Inês e está no hospital. Dediquei-lhe os outros golos por isso. Assim que entrei em campo marquei logo um, não demorou trinta segundos..."
"É assim mesmo, filho!"

É isto. Fica para a nossa história o dia em que o Pedro fez um poker e a mãe aprendeu o que isso é.

Foto de Carla Afonso.

Friday, December 9, 2016

Estudar com os Filhos

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Tal e qual como cá em casa (tirando o sorriso no rosto!)
      Era daquelas coisas sobre as quais eu dizia "nunca" ... e como diz o ditado...

     Não era bem "nunca", mas lembro-me de "gozar" com uma colega que dizia coisas do género:

"este sábado não posso, tenho de estudar Ciências com a mais nova";
"Domingo à noite não dá, tenho de estudar Matemática com a mais velha".

Ela alinhava na brincadeira e, às vezes já dizia:  
"Não posso, tenho teste de Português".

Muitos intervalos impliquei com este tenho!!!! Tens não, dizia-lhe eu, tu já fizeste o básico há muito tempo. Quem tem são elas.... era o que me fazia falta, pois eu não estou para isso!! Eles que estudem, que eu também fiz pela vida. 

Como em tanta coisa na vida, "Never say never!"
A vida dá muitas voltas. Hoje entendo-a, perfeitamente - e sigo-lhe os passos. Desculpa, amiga - tinhas razão!

Tenho como desculpa o facto de, naquela altura,  eu estar a anos luz de ti. Eu tinha vinte e cinco anos, não tinha marido, nem filhos, nem expectativas de que alguém a quem se ama mais do que à vida  (um filho) brilhasse. A minha órbita era eu mesma: ler o que me apetecesse, ir ao ginásio, sair  à noite de vez em quando. 
Hoje, as tuas filhas, por quem sacrificaste tanto da tua juventude, são jovens bem sucedidas. Com futuros promissores e brilhantes. (Deus as abençoe!)  - Tinhas razão, amiga! 
É preciso acompanhá-los muito. Não apenas por motivos académicos, mas porque isso reforça vínculos que serão para a vida. Estou certa de que hão-de lembrar-se do apoio, do esforço comum, das vitórias e dos retrocessos, sempre connosco...

 Este feriado tocou-me História de Portugal. Custou-me acordar cedo, para que o Pedro ficasse com a tarde livre para o convívio do futebol, mas valeu a pena. Gostei de rever tudo aquilo (saudades e orgulho do nosso passado!!!!) o miúdo estava consciente das coisas.

 No entanto, fiquei mesmo com a sensação de que aquilo é muita fruta para miúdos de tão tenra idade!!!! Quer dizer, o teste abrangia desde a formação de Portugal (Desde os primeiros povos até ao Condado Portucalense) até à segunda Dinastia, incluindo ainda todos os ossos e músculos do corpo humano!!! UFFF! 
(Parêntesis lólico = o meu filho nunca se esquece da "tíbia", por eu lhe ter contado que era essa a minha nomeada no segundo ciclo!!!!!)

Converso com uma mãe amiga, sobre isso. 
"É a terceira vez que estou a tirar o  primeiro ciclo e eu podia jurar que cada vez tem sido mais difícil."

Ela ri e concorda:
"Sí, es que los niños no están preparados para aquellos conceptos! Son muy nuevos!" 

(Penso, reflexão importante, vindo de alguém cuja profissão é lidar com o cérebro humano. A minha intuição estava certa e é agora validada cientificamente )

Responde ainda, com graça:
"Yo, por acaso, no! Esta história não habia estudado!" ( espanhola, de nacionalidade)

Sunday, December 4, 2016

Hiperventilar


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       Eu pensava que só teria de hiperventilar pelo Pedro uma vez na vida - em trabalho de parto; mas a verdade é que não. Todos os dias tenho de respirar fundo para lidar com o meu filho. Temos.          
      Hoje tocou mais ao pai. A ajudar a estudar matemática.  Ó nossa senhora das fracções, iluminai-nos!
      O maior problema do Pedro não é o raciocínio ou o cálculo. É o nervoso miudinho, a intolerância à frustração, a ansiedade de despachar tudo num instante, mesmo quando são coisas que levam tempo.
      Depois,  a irritabilidade. Quando fica num estado de nervos, até ele próprio hiperventila e fica irracional - muito difícil de trabalhar e ultrapassar dificuldades nestes casos. Deus nos areje! A todos!
    
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