Querido Pai Natal:
Este ano acho que me portei bem, por isso, quero:
- Um telemóvel novo;
- O jogo Fifa16 para a PS3;
- Uma camisola da selecção portuguesa;
- Os diários do Banana 5,6,7,8,9,20 e 11;
- O novo "Caça Fantasmas" da Concentra;
- Umas sapatilhas da Nike;
- Uma máquina fotográfica e uma banda desenhada.
Também quero ter (e que tenhas) um óptimo Natal.
Desejo-te Boas Festas!
Pedro Neto
Pai Natal:
- A Casa de Sonhos da Barbie;
- Kidizoom (relógio com jogos);
- Ken;
- Lápis de Cera;
- 3 Pinipons;
- Ratinhos Brincalhões
Maria
Sunday, December 11, 2016
Poker
BENJAMINS- G. D.Bragança-8 MIRANDELA-1
"Sabes, mãe, hoje fiz um poker?"
"O que é isso?"
"É marcar quatro golos; hat trick são três golos; poker são quatro! Quatro, mãe! Quatro!"
"Boa, filho! Isso é que foi um jogo espectacular!"
"Todos os colegas da equipa me felicitaram e eu dediquei um golo ao Ramos, que estava lesionado e não pôde jogar e os outros três à minha namorada nova..."
"Outra?"
"Sim, chama-se Inês e está no hospital. Dediquei-lhe os outros golos por isso. Assim que entrei em campo marquei logo um, não demorou trinta segundos..."
"É assim mesmo, filho!"
É isto. Fica para a nossa história o dia em que o Pedro fez um poker e a mãe aprendeu o que isso é.
Friday, December 9, 2016
Estudar com os Filhos
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| Tal e qual como cá em casa (tirando o sorriso no rosto!) |
Não era bem "nunca", mas lembro-me de "gozar" com uma colega que dizia coisas do género:
"este sábado não posso, tenho de estudar Ciências com a mais nova";
"Domingo à noite não dá, tenho de estudar Matemática com a mais velha".
Ela alinhava na brincadeira e, às vezes já dizia:
"Não posso, tenho teste de Português".
Muitos intervalos impliquei com este tenho!!!! Tens não, dizia-lhe eu, tu
já fizeste o básico há muito tempo. Quem tem são elas.... era o que me
fazia falta, pois eu não estou para isso!! Eles que estudem, que eu
também fiz pela vida.
Como em tanta coisa na vida, "Never say never!"
A vida dá muitas voltas. Hoje entendo-a, perfeitamente - e sigo-lhe os passos. Desculpa, amiga - tinhas razão!
Tenho
como desculpa o facto de, naquela altura, eu estar a anos luz de ti.
Eu tinha vinte e cinco anos, não tinha marido, nem filhos,
nem expectativas de que alguém a quem se ama mais do que à vida (um
filho) brilhasse. A minha órbita era eu mesma:
ler o que me apetecesse, ir ao ginásio, sair à noite de vez em quando.
Hoje,
as tuas filhas, por quem sacrificaste tanto da tua juventude, são
jovens bem sucedidas. Com futuros promissores e brilhantes. (Deus as
abençoe!) - Tinhas razão, amiga!
É
preciso acompanhá-los muito. Não apenas por motivos académicos, mas
porque isso reforça vínculos que serão para a vida. Estou certa de que
hão-de lembrar-se do apoio, do esforço comum, das vitórias e dos
retrocessos, sempre connosco...
Este
feriado tocou-me História de Portugal. Custou-me acordar cedo, para que o
Pedro ficasse com a tarde livre para o convívio do futebol, mas valeu a
pena. Gostei de rever tudo aquilo (saudades e orgulho do nosso
passado!!!!) o miúdo estava consciente das coisas.
No entanto, fiquei mesmo
com a sensação de que aquilo é muita fruta para miúdos de tão tenra
idade!!!! Quer dizer, o teste abrangia desde a formação de Portugal
(Desde os primeiros povos até ao Condado Portucalense) até à segunda
Dinastia, incluindo ainda todos os ossos e músculos do corpo humano!!!
UFFF!
(Parêntesis lólico = o meu
filho nunca se esquece da "tíbia", por eu lhe ter contado que era essa a
minha nomeada no segundo ciclo!!!!!)
Converso com uma mãe amiga, sobre isso.
"É a terceira vez que estou a tirar o primeiro ciclo e eu podia jurar que cada vez tem sido mais difícil."
Ela ri e concorda:
"Sí, es que los niños no están preparados para aquellos conceptos! Son muy nuevos!"
(Penso,
reflexão importante, vindo de alguém cuja profissão é lidar com o
cérebro humano. A minha intuição estava certa e é agora validada
cientificamente )
Responde ainda, com graça:
"Yo, por acaso, no! Esta história não habia estudado!" ( espanhola, de nacionalidade)
Sunday, December 4, 2016
Hiperventilar
Eu pensava que só teria de hiperventilar pelo Pedro uma vez na vida - em trabalho de parto; mas a verdade é que não. Todos os dias tenho de respirar fundo para lidar com o meu filho. Temos.
Hoje tocou mais ao pai. A ajudar a estudar matemática. Ó nossa senhora das fracções, iluminai-nos!
O maior problema do Pedro não é o raciocínio ou o cálculo. É o nervoso miudinho, a intolerância à frustração, a ansiedade de despachar tudo num instante, mesmo quando são coisas que levam tempo.
Depois, a irritabilidade. Quando fica num estado de nervos, até ele próprio hiperventila e fica irracional - muito difícil de trabalhar e ultrapassar dificuldades nestes casos. Deus nos areje! A todos!
Depois, a irritabilidade. Quando fica num estado de nervos, até ele próprio hiperventila e fica irracional - muito difícil de trabalhar e ultrapassar dificuldades nestes casos. Deus nos areje! A todos!

Saturday, December 3, 2016
Lista para o Pedro rever daqui por...dez anos?
Bragança, 4 de Novembro de 2016
Chamo-me Pedro, tenho nove anos e moro em Bragança. Tenho cabelo castanho, sou moreno, sou bonito e sou moderado.
Doze coisas de que eu gosto:
- Gosto de jogar à bola
- Gosto dos meus amigos
- Gosto de pastores alemães treinados
- Gosto de escrever poemas
- Gosto de desenhar
- Gosto da minha família
- Gosto de andar de bicicleta
- Gosto de snooker
- Gosto de falar Inglês
- Gosto de nadar
- Gosto de doces
- Gosto de ouvir música
- Não gosto de alguns legumes
- Não gosto de carrapatos
- Não gosto de ovos estrelados
- Não gosto de pessoas más
- Não gosto de coisas malucas
- Não gosto de ratos
- Não gosto de incêndios
- Não gosto de países onde não há liberdade
- Não gosto de poluição
- Não gosto de saudade
- Não gosto de maldade
- Não gosto de muito barulho
Um pê e um ó, pó!

Ainda apanhámos um susto, há umas semanas atrás, quando percebemos que a Mary trocava os pês pelos tês e que, para não pensar muito nos ditongos se deitava a adivinhar a palavra pela imagem ou pelo contexto, de forma que previa mãe onde deveria decifrar mamã...
Aquilo andava a pôr-me doida! Um pê e um A, pá; um tê e um ó, tó - e então a rapariga lia PÁ-TÓ. Sápó, rátó, pálitó e por aí adiante. (Ensinei-lhe os diferentes valores das vogais. Disse-lhe que, no final das palavras o O normalmente se lê U e lá foi encaixando aquilo.). Depois era - TAPT, para tapete. Ora, se lhe ensinam que P se lê pê, para quê acrescentar vogais?
A primeira vez que fez um ditado- uma lista com oito palavras - acertou duas e, no dia seguinte teve avaliação amarela na leitura. Foi o alerta para nós. Nunca mais a largámos. Diariamente um pouquinho, mas mais ao fim de semana, exercícios extra de sílabas, palavras e pequenas frases, em fichas, cadernos e até em jogos de computador. Foi progredindo. No ditado seguinte teve as oito palavras correctas e um PARABÉNS a vermelho, que nos encheu o coração e lhe redobrou a confiança.
No outro dia, pega num livro do Valter Hugo Mãe que ando a ler (Desumanização), aprecia-lhe a capa, as ilustrações dos monstros, vira-o, revira-o, folheia-o e conclui: "A mãe já leu isto tudo?". Achei-lhe piada. A noção do esforço gigantesco que será, do ponto de vista dela, juntar aquelas sílabas todas!!!!
Apesar das dificuldades iniciais, sempre considerei muito positiva a atitude dela em relação à aprendizagem. Especialmente no que toca ao sentido de humor e espírito crítico. Lá tinha ela de ler e copiar frases, com as reduzidas consoantes que haviam aprendido e ela a considerá-las (e bem) artificiais e forçadas:
O LEÃO PÕE A PATA. (ponto final)
E ela, depois de muito silabar: "Mas põe a pata aonde, faz algum sentido?"
O PAPÁ PAPA A PAPA.
A sério? Quem come a papa são os bebés!
Sim, Maria, mas tu ainda não aprendeste o bê, anda, copia.
(Faz-me lembrar a minha irmã nas aulas de condução e o instrutor, conduza, menina, não questione, não questione!)
A DÁLIA DÁ O DEDAL AO DIDI. O que é dedal, mãe?
O PAI É O PAPÁ...
Não! Ia ser mamã...
Enfim, pareceu-me que a curiosidade e o espírito crítico da Maria podem vir a ser uma mais valia na aquisição de conhecimentos. Para já, porque tem de ser, coartamo-los para que avance, mas com um sorriso nos lábios. Como se diz por estas terras "é guitcha" (esperta).
Hoje, com uns materiais manipuláveis em cartão, a surpresa. Junta tudo, mesmo letras que ainda não deu. Leu tudo: Xavier, Beatriz, árvore, etc, etc. Encarreirou. Agora faz-nos desenhos com mensagens:
A mãe é má.
O pai é mau.
O quê, safada?É para isto que andas a aprender a escrever?
Ah, é que ainda não dei o bê de bom!
Friday, December 2, 2016
A Chegada do Pai Natal
Já no ano passado, dúvidas e mais pulgas atrás da orelha ("porque é que os presentes do Pai Natal vêm com o mesmo papel de embrulho que os nossos?" e também "o não-sei-quantos diz que isso não existe"). Revelámos. O Pedro, como sempre, fez disso uma tragédia grega em três actos, cujo refrão consistia num indignado -"vocês, mentiram-ME? Como foram capazes de me mentir?" (com verdadeira voz melosa do monólogo "ser ou não ser, eis a questão). Catarsis feita, a cena serenou com a promessa que, então, iria connosco às compras de natal e com o pacto de que manteríamos o segredo para a mana e para o primo Tomé por mais uns tempos.
Neste espírito, lá fomos receber o velhinho das barbas brancas que chegava ontem à cidade. O Pedro e o Gonçalo mais animados pela pista de gelo do que propriamente pelo trenó e pelas renas, a Maria de olhinhos a brilhar, olhos postos nos anjos e sinos em andas, nos duendes, nos esquilos e nas Ice Girls. Com gorrinhos alusivos, de grandes orelhas de duende, a minha criançada lá acompanhou o cortejo até à Praça da Sé. Aí, apreciaram o presépio em tamanho real e aqueceram as mãos no fogareiro.
Na Praça Camões também se ficaram uns minutos a contemplar o presépio mais extenso, colado à Biblioteca Municipal, mas houve logo uma vozinha dissonante e masculina (o meu Pedro): "O que é que o Big Ben está ali a fazer? Nada disto se passou em Londres e, naquela altura nem havia relógios!"
Grande recepção ao velhinho, acende-se o pinheirinho cheio de luzinhas - as minhas crianças quase absolutamente satisfeitas, não fosse a ansiedade dos mais velhos irem patinar!!!! Eu tinha jurado que não, que não enfrentaria a fúria do primeiro dia de pista de gelo, por razões mil: filas de espera (40 minutos ao frio), muita gente na pista, logo, mais perigo para a pequena, etc, etc. Então lá fui eu, cumprir o meu fado para a dita. Patins nos pés, capacete na cabeça.
"Arranja-me uma foquinha para a pequena, por favor?"
E o rapaz, com alguma piada "Vou tentar, minha senhora, mas sabe? Elas não se reproduzem cá dentro!"
Ao fim e ao cabo, quem mais teria usufruído do apoio teria sido o mais velho, que, corria e caía como um desalmado. No final, queixava-se que estava sempre a cair. Pudera, filho, não andas devagar, só tentas correr!, ao que responde "É para aproveitar o tempo. São só 20 minutos, tenho de andar depressa para andar muito..." (- para andar muito pelo chão, diria eu)
Ainda acabei por prestar auxílio a um estudante Erasmus que sangrava abundantemente de uma mão, havia-se cortado no patim de um colega, quando o grupo todo caiu - nestas coisas os graúdos parecem ficar ainda mais histéricos que os miúdos e, não raramente, acaba mal. Fui chamar o bombeiro, que por sua vez tinha sido meu aluno e não falava nada de inglês. Momento em que vacilo em pensar:
a) que útil estou a ser neste momento, a servir de intérprete nesta emergência
b) que inútil fui como professora de inglês deste, que não se safa nada!
E, pronto. Criançada estafada, encharcada e esganifada da fome. Hora de recolher, banho quente e janta, que nem parece que amanhã é dia de escola!
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